Josef
Breuer nasceu em Viena, em 15 de janeiro de 1842 e faleceu em Viena,
em 20 de dezembro de 1925. Foi um médico e fisiologista austríaco
a quem se atribui a fundação da psicanálise.
Seu
pai, Leopold Breuer, era professor de religião na comunidade
judaica de Viena. Devido à morte prematura de sua mãe,
foi criado por sua avó materna. Depois de cursar o Ginásio
Acadêmico de Viena até 1858 e depois de um ano na universidade,
Breuer decidiu pela carreira médica. Diplomou-se em 1867,
porém permaneceu como assistente de Johann Oppolzer na universidade,
até o falecimento deste em 1871. Seu
primeiro trabalho importante foi publicado em 1868. Com Ewald Hering,
um professor de fisiologia da escola de medicina militar de Viena,
ele demonstrou a natureza reflexa da respiração. Foi
o primeiro exemplo de um mecanismo autônomo no sistema nervoso
dos mamíferos, diferente da visão que os cientistas
tinham da relação entre o sistema nervoso e os pulmões.
O mecanismo é ainda hoje conhecido como reflexo de Hering-Breuer.
Em
1868, Breuer casou com Matilda Altmann com quem teve cinco filhos.
Deixando a pesquisa universitária em 1871, Breuer passou
a clinicar. Porém ainda encontrava tempo para estudos científicos,
trabalhando em sua própria casa, valendo-se dos recursos
obtidos na clínica. Voltando sua atenção para
a fisiologia do aparelho auditivo, em 1873 ele descobriu a função
dos canais semicirculares do ouvido interno e sua relação
com a sensação de equilíbrio do corpo. Breuer
descobriu,. em 1880, que ele havia aliviado os sintomas de depressão
e hipocondria (histeria) de uma paciente, Bertha Pappenheim, depois
de induzi-la a recordar experiências traumatizastes sofridas
por ela na infância. Para isso Breuer fez uso da hipnose e
de um método novo na época, a terapia de conversa.
Por
dois anos, o caso de Bertha fascinou Breuer e, a partir de certo
momento, a própria Bertha o seduziu. Assim, além de
inventar a terapia de conversa, Breuer descobriu também o
principal problema desse método: os fenômenos que depois
Sigmund Freud chamaria Transferência e Contra-transferência.
Os
problemas de Bertha Pappenheim, de 21 anos, - na ficha médica
"Anna O" -, eram depressão e nervosismo, com um
quadro de hipocondria com os mais diversos sintomas (uma condição
na época denominado "histeria"). Em certas ocasiões
se acreditava paralítica, em outras acreditava estar impossibilitada
de deglutir e por algum tempo não conseguia comer, ou beber
água, mesmo estando com fome e sede. Em outras ocasiões;
tinha distúrbios visuais, paralisia das extremidades e contraturas
musculares, perda de sensibilidade na pele, tosse nervosa, de modo
que sua personalidade ora era a de uma deficiente, ora a de uma
pessoa normal. Por vezes sentia-se incapaz de falar seu próprio
idioma, o alemão, e recorria ao Francês ou Inglês
para se comunicar. Breuer submeteu-a a hipnose e ela relatou casos
de sua infância, e essa recordação fazia que
se sentisse bem após o transe hipnótico. Após
estimular a paciente a conversar sem rodeios, aos poucos ficou claro
para Breuer que a hipnose poderia ser dispensada, se o médico
conduzisse a conversa habilmente, no sentido de provocar as recordações
mais difíceis de serem trazidas à consciência.
Aos poucos entendeu que os sintomas eram conecções
simbólicas com recordações dolorosas
relacionadas à morte de seu pai as quais ela revelou
durante a terapia.
O
interesse de Breuer por Bertha despertou a atenção
de sua esposa e a crise matrimonial que isto deflagrou levou Breuer
a interromper o relacionamento. Bertha então forçou
um encontro íntimo por meio de um artifício: enviou
um chamado ao terapeuta dizendo-se grávida e em estado de
parto. Breuer atendeu ao falso apelo, mas com a decisão de
se afastar dela definitivamente. No dia seguinte embarcou com sua
mulher para uma viagem destinada a recondicionar o clima de afeição
em sua vida conjugal. Dessa
experiência Breuer concluiu que os sintomas neuróticos
resultam de processos inconscientes e desaparecem quando esses processos
se tornam conscientes. Chamou a esse processo Catarse. Porém
Breuer não quis continuar a prática terapêutica
que havia descoberto nem publicou de imediato os resultados do tratamento
de Bertha, porém ensinou seu método a Sigmund Freud.
Quando Freud começou a usar o método de Breuer, ambos
discutiam os casos dos pacientes de Freud, as técnicas e
os resultados do tratamento. Em 1893 ambos publicaram em conjunto
um artigo sobre o método desenvolvido, e dois anos depois
fizeram o livro que marcou o início da teoria psicanalítica,
Studien über Hysterie ("Estudos sobre a histeria").
Esse livro é geralmente considerado o marco inicial da psicanálise,
mas valeu a Breuer muitas críticas que o magoaram, feitas
pelos colegas no meio médico vienense.
A
parceria entre os dois analistas foi interrompida, devido a Breuer
não aceitar o ponto de vista de Freud quanto a recordações
infantis de sedução. Freud acreditava que as suas
pacientes tinham sido realmente seduzidas quando crianças.
Só mais tarde Freud reconheceu que Breuer estava certo ao
contestar, quando dissera que essas memórias eram fantasias
infantis. Os médicos chamados "Breuerianos," continuaram
a utilizar as técnicas originais de catarse desenvolvidas
por Breuer sem adotar as modificações introduzidas
por Freud. Breuer
publicou ao todo cerca de 20 trabalhos em fisiologia nervosa num
período de 40 anos, que fizeram dele um dos mais eminentes
fisiologistas do século XIX. Lecionou na faculdade de medicina
da Universidade de Viena a partir de 1875 até 1885, quando
se demitiu.
Em
1894, Breuer foi eleito para a Academia de Ciências de Viena.
Faleceu em Viena em 1925 e sua filha Dora, ao tempo que Freud fugiu
para a Inglaterra para escapar aos nazistas, preferiu o suicídio
a cair nas mãos dos alemães. Uma de suas netas porém
foi vítima da perseguição nazista, enquanto
vários outros membros da família se viram forçados
a emigrar.
Rubem
Queiroz Cobra
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