BURRHUS
FREDERIC SKINNER (1904-1990)
Nasceu
em Susquehanna,
Pensilvânia, em 20 de Março de 1904 , foi um autor
e psicólogo estadunidense. Ele conduziu trabalhos pioneiros
em psicologia experimental e foi o propositor do Behaviorismo Radical,
abordagem que busca entender o comportamento em função
das interrelações entre história filogenética
e ambiental do indivíduo.
Skinner
também escreveu trabalhos controversos nos quais advoga o
uso de técnicas para a modificação de comportamento
(principalmente o condicionamento operante) com o intuito de melhorar
a sociedade e tornar o homem mais feliz. Contudo, a maior originalidade
de seu trabalho (pouco reconhecida) é o tratamento dado à
subjetividade humana, analisada segundo fatores histórico-ambientais
envolvidos com o chamado comportamento verbal.
De
família presbiteriana teve uma infância tradicional.
Segundo o próprio Skinner, seu ambiente da infância
era estável e não lhe faltou afeto. Ele frequentou
o mesmo ginásio onde seus pais haviam estudado; havia apenas
sete outros alunos em sua sala ao final do curso. Ele gostava da
escola e era o primeiro a chegar todas as manhãs. Quando
criança e adolescente, gostava de construir coisas: trenós,
carrinhos, jangadas, carrosséis, atiradeiras, modelos de
aviões e até um canhão a vapor com o qual atirava
buchas de batata e cenoura nos telhados dos vizinhos. Passou anos
tentando construir uma máquina de movimento perpétuo.
Skinner
também tinha interesse pelo comportamento dos animais. Lia
muito sobre eles e mantinha um estoque de tartarugas, cobras, lagartos,
sapos e esquilos listrados. Numa feira rural, ele observou certa
feita um bando de pombos numa apresentação; anos mais
tarde, ele treinaria essas aves para realizar uma variedade de façanhas.
(Seriam os pombos supersticiosos? Certa vez Skinner colocou vários
pombos numa caixa e passou a alimentá-los em intervalos fixos,
independentes do comportamento do pombo. Ele observou que os pombos
associavam a comida a algum comportamento que tivessem tido logo
antes de serem alimentados.Por isso, um dos pombos passou a mover
a cabeça para um lado e para o outro, enquanto outro dava
voltas na gaiola, e assim por diante. Desse modo, Skinner concluiu
que os pombos tinham comportamentos supersticiosos.)
Ele
é um dos grandes expoentes da psicologia experimental. O
sistema de psicologia de Skinner é sob muitos aspectos um
reflexo das suas primeiras experiências de vida. Ele considerava
a vida um produto de reforços passados e afirmava que sua
própria vida fora tão predeterminada, organizada e
ordeira quanto seu sistema ditava que todas as vidas humanas fossem.
A conselho de um amigo de família, Skinner se matriculou
no Hamilton College de Nova York. Ele escreveu:
Nunca
me adaptei à vida de estudante. Ingressei numa fraternidade
acadêmica sem saber do que se tratava. Não era bom
nos esportes e sofria muito quando as minhas canelas eram atingidas
no hóquei sobre o gelo ou quando melhores jogadores de basquete
faziam tabela na minha cabeça... Num artigo que escrevi no
final do meu ano de calouro, reclamei de que o colégio me
obrigava a cumprir exigências desnecessárias (uma delas
era a presença diária na capela) e que quase nenhum
interesse intelectual era demonstrado pela maioria dos alunos. No
meu último ano, eu era um rebelde declarado. Com parte
dessa revolta, Skinner instigava trotes que muito perturbaram a
comunidade acadêmica e se entregava a ataques verbais aos
professores e à administração. Sua desobediência
continuou até o dia da graduação, quando na
abertura das cerimônias, o diretor o alertou, e aos seus amigos,
que, se não se comportassem, não colariam grau.
Skinner
se formou em inglês, recebeu a chave simbólica da Phi
Beta Kappa e manifestou o desejo de tornar-se escritor. Quando criança,
tinha escrito poemas e histórias, e, em 1925, num curso de
verão de sobre redação, o poeta Robert Frost
fizera comentários favoráveis sobre seu trabalho.
Durante dois anos depois da formatura, Skinner dedicou-se a escrever
e então decidiu que não tinha nada importante
a dizer. Sua falta de sucesso como escritor o deixou tão
desesperado que ele pensou em consultar um psiquiatra. Considerou-se
um fracasso e estava com sua auto-estima abalada. Também
estava desapontado no amor; ao menos uma meia dúzia de jovens
havia rejeitado suas investidas, deixando-o com o que ele descreveu
como intensa dor física. Skinner ficou tão perturbado
que gravou a inicial do nome de uma mulher no braço, onde
ela ficou durante anos.
Depois
de ler sobre John B. Watson e Ivan Pavlov, Skinner decidiu transferir
seu interesse literário pelas pessoas para um interesse mais
científico. Em 1928, inscreveu-se na pós-graduação
de psicologia em Harvard, embora nunca tivesse estudado psicologia
antes. Foi para a pós-graduação, disse ele,
não porque fosse um adepto totalmente comprometido
da psicologia, mas para fugir de uma alternativa intolerável.
Comprometido, ou não, doutorou-se três anos mais tarde.
Seu tema de dissertação dá um primeiro vislumbre
da posição a que ele iria aderir por toda a sua carreira.
Sua principal proposição era de que um reflexo não
é senão a correlação entre um estímulo
e uma resposta. Concluiu o mestrado em 1930 e o doutorado em 1931.
Depois
de vários pós-doutorados, Skinner foi dar aulas na
Universidade de Minnesota (193645), nessa época casou-se
com Yvonne Blue, com quem teve dois filhos, e na Universidade de
Indiana (194547). Em 1947, voltou a Harvard. Seu livro de
1938, O Comportamento dos Organismos, descreve os pontos
essenciais de seu sistema inicial. Cinqüenta anos mais tarde,
esse livro foi considerado um dos poucos livros que mudaram
a face da psicologia moderna, e ainda é muito lido.
Seu livro de 1953, Ciência e Comportamento Humano,
é o manual básico da sua psicologia comportamentalista.
Skinner
manteve-se produtivo até a morte, aos oitenta e seis anos,
trabalhando até o fim com o mesmo entusiasmo com que começara
uns sessenta anos antes. Em seus últimos anos de vida, ele
construiu, no porão de sua casa, sua própria caixa
de Skinner um ambiente controlado que propiciava reforço
positivo. Ele dormia ali num tanque plástico amarelo, de
tamanho apenas suficiente para conter um colchão, algumas
prateleiras de livros e um pequeno televisor. Ia dormir toda noite
às 10h, acordava três horas depois, trabalhava por
uma hora, dormia mais três horas e despertava às cinco
da manhã para trabalhar mais três horas. Então,
ia para o gabinete da universidade para trabalhar mais, e toda tarde
retemperava as forças ouvindo música.
Aos
sessenta e oito anos, escreveu um artigo intitulado Auto-Administração
Intelectual na Velhice, citando suas próprias experiências
como estudo de caso. Ele mostrava que é necessário
que o cérebro trabalhe menos horas a cada dia, com períodos
de descanso entre picos de esforço, para a pessoa lidar com
a memória que começa a falhar e com a redução
das capacidades intelectuais na velhice. Doente terminal com leucemia,
apresentou uma comunicação na convenção
de 1990 da APA, em Boston, apenas oito dias antes de morrer; nela,
ele atacava a psicologia cognitiva. Na noite anterior à sua
morte, estava trabalhando em seu artigo final, Pode a Psicologia
ser uma Ciência da Mente?, outra critica ao movimento
cognitivo que pretendia suplantar sua definição de
psicologia. Skinner morreu em 18 de Agosto de 1990, em Cambridge.
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