A
História da Psicologia, começa na realidade muito
antes de sua própria história. Inicia com a História
das idéias psicológicas, e não se deve confundi-la
com a História da Psicologia própriamente dita, que
seria a história de uma ciência cuja existência
começa em fins do século XIX e se estende até
o presente, ao passo que as idéias psicológicas remontam
ao alvorecer do pensamento humano, ao momento mesmo em que o homem
pela primeira vez indagou-se sobre a sua essência.
Nos
comentários epistemológicos são focalizados
os problemas básicos da história das ciências,
tais como o dos precursores, do externalismo versus internalismo,
do continuísmo versus descontinuísmo, e o problema
da periodização. A questão da cientificidade
da Psicologia é colocada, esboçando-se um breve estudo
dos critérios de periodização em Psicologia
e a questão da Psicologia Histórica, cuja caracterização
como área complementar da Psicologia Transcultural é
proposta.
A
apresentação da HISTÓRIA DAS IDÉIAS
PSICOLÓGICAS, propriamente ditas, pode ser mostrada em duas
grandes seções: A primeira examina a contribuição
dos grandes filósofos, proposta antes da emergência
da Psicologia como ciência e está dividida em três
partes: a que cobre o pensamento grego em suas etapas convencionais
de desenvolvimento, a que focaliza o pensamento psicológico
enquanto influenciado pelo cristianismo, concentrando-se nas figuras
de Santo Agostinho e Santo Tomás de Aquino, e a que domina
toda a modernidade, estendendo-se até o século XIX.
Nesta última destacam-se as duas grandes linhas que marcam
sua evolução, a empirista e a racionalista.
A
segunda seção fixa-se no pensamento de alguns filósofos
que pretenderam produzir, o que Piaget chama de Psicologia Filosófica,
ou seja, o tipo de Psicologia que se pretende mais rigorosa do que
a denominada de Científica e Experimental. Procede-se também
a comentários sobre o corte que marca o advento do saber
científico no domínio das ciências naturais
e que estabelece uma profunda separação entre o pensamento
antigo e medieval e o pensamento moderno.
Na
terceira e última parte pode ser estudada a emergência
da Psicologia como conhecimento científico. Nela focalizam-se,
de modo sumário, as condições que concorreram
para a sua existência. Podem ser mencionadas algumas figuras
que já se inserem numa história da psicologia como
ciência, como por exemplo Charles Darwin, Wundt, Ebbinghaus,
Fechner e William James.
Penna, Antonio Gomes. "História das idéias psicológicas".
Rio de Janeiro: Imago Editôra, 1991